A namorada

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A namorada

Manoel de Barros


Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.

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caurosa12



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12 Respostas

  1. Ah,
    Esse era o tempo do namoro inocente.
    É uma pena que ele não exista mais…
    Pois com ele foi-se o romantismo, o cavalheirismo, a pureza, a inocência. É uma pena!

    Mil beijos de Sua Namoradinha.

    Pérolas a Você!

  2. Caurosa, que surpresa! Manoel faz parte, com vários livros, da pilha em minha cabeceira! Sou completamente apaixonada pelo que ele poeta do nada, das coisas miúdas e (aparentemente) desimportantes. “Fazer poesia é voar fora da asa”- diz ele. E namorar com quem se gosta também não é?

    Parabéns por sua sensibilidade.

  3. A gente sempre se delicia lendo Manoel de Barros.
    Muito boa essa postagem.

  4. Parece bonitinho, mas devia ser uma aflição namorar assim. Hehehe! 😉

  5. Meu fiel escudeiro Caurosa,
    antes o tempo da onça do que o dos viados…
    Beijo,
    Tati.

  6. Meu caro Carlos, obrigado por esse trecho de “Manoel de Barros”. Recordou-me os meus tempos de adolescente, quase quase era assim só que a onça era a mãe.
    Abraço

  7. Sou totalmente jurássica…rs – E pensar que hoje, aos 12, quem ainda está entrando na adolescência já ‘fica’ – e pra eles, quanto mais ficantes, melhor! Romantismo 0 X 10 Modernismo!

  8. Que dificuldade…

  9. que barra hein^^namorar assim……

    mas whatever^^

    manorar é tdo de bom…..e o risco torna mais legal as vezes^^

    bjo

  10. Oi Carlos!

    Nossa, quando era pequena, adorava esse poema. Viajava e imaginava a cena.
    Belos tempos. Já não se fazem mais paqueras como antigamente…rs

    Abraços! Vou seguí-lo no Twitter… no meu blog também tem o link do meu.

  11. adorei o poema 😀
    mas fico feliz de ter nascido na era do celular
    o.o

    obrigada por seguir visitando meu blog e agradeço os comentários
    8D ¹²³

  12. Estamos precisando de tempos assim, de onças assim, de pedras assim…

    A realidade atual não me seduz.

    Obrigada pela visita viu?

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