Arquivos Mensais: janeiro \28\UTC 2010

Tempo, vida, amor

Soneto dos 20 anos

Que o tempo passe, vendo-me ficar
no lugar em que estou, sentindo a vida
nascer em mim, sempre desconhecida
de mim, que a procurei sem a encontrar.

Passem rios, estrelas, que o passar
é ficar sempre, mesmo se é esquecida
a dor de ao vento vê-los na descida
para a morte sem fim que os quer tragar.

Que eu mesmo, sendo humano, também passe
mas que não morra nunca este momento
em que eu me fiz de amor e de ventura.

Fez-me a vida talvez para que amasse
e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento,
trazendo a aurora para a noite escura.

Lêdo Ivo

caurosa

HISTÓRIA DE PESCADOR

Uma hilária história de pescador, contada pelo impagável “Pantaleão”,

personagem  do grande e genial Chico Anysio.

CAUROSA

shortstory

Triste história do menino sonhador


 

 

O dia era quente e triste, eu voltava da escola, o suor escorria pela minha testa e gotas caiam nos meus olhos e ardiam. Fiquei assustado ao ver um aglomerado de pessoas na porta do bar do Tito, não imaginava a desagradável e terrível surpresa que me esperava. Ao aproximar-me vi, espantado, caido na calçada do bar o corpo agonizante de meu amigo Mário. Meu corpo estremeceu de pavor e o choro veio rápido, as lágrimas escorreram pelo rosto . Lá estava , imóvel, o corpo do meu melhor amigo, ensanguentado. Havia sido esfaqueado brutalmente após uma discussão inútil. Era o fim de uma amizade curta entre o menino sonhador e o jovem bom, querido e estimado por todos os moradores da minha rua. Hoje o menino sonhador é um adulto marcado por sentimentos , emoções e uma vida de muitas lutas. Mas a amizade do tempo de menino, nunca se apagou da minha vida e deixou marcas na alma e no meu coração.

 

CAUROSA

Desta vez me deixa ser feliz.

Nada aconteceu a ninguém,

não estou em parte alguma,

simplesmente sucede

que sou feliz

pelos quatro costados

do coração, andando,

dormindo ou escrevendo.

O que possso fazer,

sou feliz.

Pablo Neruda

CAUROSA

NA NOITE QUENTE DE VERÃO

Na noite quente de verão,
abaladora noite triste…
sofre meu coração.
Que motivos terei?
Será o nosso amor
que me causa tanta solidão?

Oh, mulher amada!
Por que eu vivo
esta dura provação?
Já não basta seres dona
do meu pobre coração?

Na noite quente de verão,
só me resta, não pensar em ti.
E consolar-me com as estrelas,
e o sonho que virá, para talvez,
encontrar-te e aplacar a minha
amarga e triste solidão.

 

CAUROSA