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NA NOITE QUENTE DE VERÃO

Na noite quente de verão,
abaladora noite triste…
sofre meu coração.
Que motivos terei?
Será o nosso amor
que me causa tanta solidão?

Oh, mulher amada!
Por que eu vivo
esta dura provação?
Já não basta seres dona
do meu pobre coração?

Na noite quente de verão,
só me resta, não pensar em ti.
E consolar-me com as estrelas,
e o sonho que virá, para talvez,
encontrar-te e aplacar a minha
amarga e triste solidão.

 

CAUROSA

Outra vez Neruda

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“Abaladora foi a noite de setembro
Eu trazia na roupa
a tristeza do trem que me trazia
cruzando uma por uma as províncias:
Eu era esse ser remoto
turbado pela fumaça do carvão
da locomotiva.
Eu não era.
Tive de encarar então a vida.
Minha poesia me incomunicava
e me agregava a todos.
Naquela noite
me coube declarar a primavera.
A mim, pobre sombrio,
me fizeram desatar a vestimenta
da noite desnuda.
Tremi lendo ante duas mil orelhas desiguais meu canto.
A noite ardeu
com todo o fogo escuro
multiplicando-se na cidade,
na urgência imperiosa do contato.
Morreu a solidão aquela vez
ou nasci eu de minha solidão?”

PABLO NERUDA

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